SINPREFI PROMOVE SIMPÓSIO “DIREITO À EDUCAÇÃO: AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS PARA O ENSINAR E O APRENDER” EM COMEMORAÇÃO AO DIA DO PROFESSOR
1ª palestra: ESTUDANTES IMIGRANTES NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO: DIVERSIDADE E FORMAÇÃO DOCENTE – PROFESSSORA JORGELINA TALLEI
Com a impossibilidade de realizar eventos presenciais, o SINPREFI optou por organizar, em conjunto com a Unioeste e com a Unila, um evento de formação para professores e profissionais da Educação. O tema central escolhido foi: Direito à Educação. A primeira palestra foi realizada nesta quinta-feira (15), às 16h, com transmissão pela FanPage do SINPREFI no Facebook e pelo canal do sindicato no Youtube (o vídeo está disponível nessas redes). A professora convidada foi a argentina, Jorgelina Ivana Tallei, professora da Unila há oito anos que vive no Brasil há 20 anos.
Ela contou que quando chegou à Unila ficou impactada pelo contexto multicultural que encontrou. “Isso me afetou de tal forma que comecei a estudar e pesquisar mais sobre formação docente em regiões de fronteira,” disse. A palestra, mediada pela diretora de políticas sindicais do SINPREFI, Viviane Jara Benitez, abordou o tema: “Estudantes Imigrantes na Rede Municipal de Ensino: Diversidade e Formação Docente”.
Professora Jorgelina relembrou que desde 2016 tem sido construído um contexto de pesquisas, análises e formação de docentes em Foz do Iguaçu por um grupo de professores que focam nesse cenário como forma de defender os direitos dos estudantes internacionais e das famílias. Segundo ela, em 2016 foi realizado projeto inicial de formação denominado “Diversidade nas escolas”, em que foi possível ouvir dos professores relatos reais sobre a presença de alunos vindos de outros países nas salas de aula da rede pública municipal de Foz e em que se tratou da possibilidade de ensino de línguas nas escolas.
A formação se estendeu pelos anos seguintes, incluindo ensino de inglês em 2018 e no ano passado. O projeto “Pedagogia de Fronteira” tem como objetivo a sensibilização intercultural e bilíngue nas escolas. Mais de 200 professores passaram pelas formações e o projeto foi premiado.
Jorgelina destacou que em 2018 foi assinado um acordo de cooperação entre a Prefeitura de Foz e o grupo de pesquisadores da Unila com vigência até 2022 para fazer uma análise demolinguística na Rede Pública Municipal de Foz com as crianças internacionais que fazem parte da rede.
Ela também compartilhou uma pesquisa que aponta o número de estudantes internacionais presentes no Ensino Fundamental nas escolas do município:
2017 – 300 alunos internacionais (1º ao 5º ano) maioria proveniente do Paraguai e o segundo país com mais representatividade era a Argentina.
2019 – 442 alunos internacionais (1º ao 5º ano), maioria proveniente do Paraguai e o segundo país com mais representatividade sendo a Venezuela.
“Defendemos um ensino multilíngue nas escolas que se sustenta nos dados,” concluiu. Para Jorgelina, mesmo que houvesse apenas um estudante internacional na rede, esse aluno precisaria ter os direitos de ser acolhido em língua materna respeitados. Pelos dados da Secretaria Municipal de Educação (SMED) são em torno de 19 mil os alunos matriculados no Ensino Fundamental, portanto, em cada 100 alunos há aproximadamente 3 internacionais.
A professora destacou os documentos que amparam os direitos dessas crianças e das famílias, como: documento da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP), a Constituição Federal do Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA˗ Lei n.º 8.069/1990), Parecer CNE/CP nº 8/2012, Parecer CNE/CEB n°1/2020, aprovado em 21 de maio de 2020.
Ela recomendou que os educadores mantenham olhar atento para saber como esses documentos serão implementados nas escolas, em especial as Diretrizes Curriculares Nacionais para ensino plurilíngue, recentemente aprovada, e o Documento Orientador e Protocolo de Acolhimento a Estudantes Imigrantes da Rede Municipal e recebeu apoio dos profissionais que acompanhavam a palestra. Muitos manifestaram que gostariam de ter formações específicas em outros idiomas, especialmente o Espanhol, para atender de forma mais acolhedora e efetiva os alunos internacionais.
Jorgelina concluiu reforçando a informação de que o grupo de estudos da Unila publicou um documento orientador e protocolo sobre estudantes internacionais na rede municipal de ensino de Foz que consta neste link:
A palestrante complementou que essa iniciativa “não se resume a cursos”. Ela reforçou a necessidade de reconhecimento da língua como direito e o reconhecimento das escolas como escolas de fronteira. Citou, ainda, a Associação de Professores de Espanhol do Paraná como mais uma forma de fortalecimento da luta coletiva.
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