VITÓRIA DA EDUCAÇÃO: PREFEITURA DE FOZ MANTÉM MATRIZ CURRICULAR E ANUNCIA MUDANÇA GRADUAL
Profissionais defendem que não há condições para implantação de Inglês e Robótica de forma imediata; contratações e formação adequada estão entre as exigências
O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) considera que os educadores municipais conquistaram uma vitória diante do anúncio feito pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) de que será mantida a mesma matriz curricular do ano passado para o Ensino Fundamental – mesmo que de forma provisória. A Smed divulgou a Normativa de Distribuição de Turmas na última sexta (30) sem qualquer alteração, apesar do anúncio feito no fim do ano passado de que seriam retiradas aulas de Português, Ciências e Geografia para a inserção de Inglês e Robótica.
Para a presidente da Sinprefi, Viviane Dotto, qualquer alteração desse porte exige que os trâmites sejam respeitados e diálogo aberto com a categoria. “Nós estamos acompanhando as declarações da secretária de educação, Silvana Garcia, e compreendemos que é uma decisão provisória. Também consideramos positivo o fato de a secretária ter anunciado que as mudanças serão graduais, porque temos convicção de que é preciso preparar melhor as escolas e os profissionais para que não haja prejuízo ao ensino,” explica.
A secretária municipal de educação Silvana Garcia anunciou, em entrevistas a meios de comunicação, que aguarda parecer do Ministério Público sobre as alterações na matriz curricular e que irá aguardar o posicionamento do Conselho Municipal de Educação – como defende o Sinprefi. Segundo as declarações da secretária, a implantação das aulas de Inglês e Robótica será gradual, iniciando pelos 3º anos do Ensino Fundamental em 2026; passando, em 2027, para os 3º e 4º anos; e atingindo os 3º, 4º e 5º anos apenas em 2028.
O Conselho Municipal de Educação é formado por representantes do poder público, dos profissionais da educação, de instituições educacionais e da comunidade, e retomará as atividades no dia 11 de fevereiro. A questão da matriz curricular é apenas um dos temas da pauta de negociação entre os profissionais da educação que atuam nas escolas municipais e nos Cmeis de Foz do Iguaçu e o executivo municipal.
Há impasse, também, em relação ao Pagamento do Piso Nacional, valor mínimo definido pelo Ministério da Educação para o professor que atua na rede pública, trabalhando pela manhã e à tarde. O reajuste fixado para 2026 é de 5,4% e deve ser pago a partir de janeiro – o que não vem ocorrendo nos últimos anos. A atual gestão municipal já manifestou que irá pagar esse reajuste como “completivo”, ou seja, um complemento que não é incorporado ao salário-base, gerando prejuízos à carreira profissional. No Brasil, os professores não podem ganhar menos que R$ 5.130,00.
Próximas ações
Amanhã (3), os profissionais da rede municipal de ensino de Foz farão um ato público de protesto em frente à Prefeitura de Foz, a partir das 11h30. O ato servirá como um alerta ao executivo municipal e também uma forma de informar à comunidade sobre a realidade que a categoria vem enfrentando.
A partir de quarta (4), os professores farão manifestações pacíficas e informativas nas escolas, vestindo preto, colocando faixas e cartazes comunicando a comunidade escolar sobre o estado de greve e os motivos que levaram a essa decisão.
Os profissionais da educação deixaram pré-agendada uma nova Assembleia Geral para o dia 13 de fevereiro, véspera do feriadão de Carnaval. A estratégia é seguir com as negociações com o poder público por mais esse período. Ainda no dia 9 de janeiro o Sinprefi protocolou um ofício solicitando reunião com o prefeito Silva e Luna. No dia 23 foi enviado novo ofício. Caso não haja entendimento em favor da qualidade do ensino, há possibilidade de deliberação por greve geral depois do Carnaval.


